Idas e Vindas – Alucinada

Idas_VindasCapítulo 12º – Alucinada

No outro dia eu não acordei, eu simplesmente pulei da cama, era como se estivesse esperando somente que o sol nascesse para que enfim eu pudesse começar o meu dia e com isso poder ir vê-la. Eu tinha 24 anos, mas parecia que eu estava com 15, à ansiedade da adolescência, misturada com o desejo, sentimentos renascendo, revivendo e destruindo qualquer barreira que pudesse ainda existir dentro de mim me faziam parecer estar a 300 km/h. Queria fazer tudo ao mesmo tempo e acabava me atrapalhando mais. Na minha cabeça a única coisa que eu realmente queria era poder vê-la logo, mas tive que esperar pela tarde, pois, tinha que ajudar na arrumação da casa.

Minha cabeça estava em um turbilhão ficava relembrando cada trecho de nossa conversa, sentindo novamente cada sensação que as suas palavras me causaram. E parecia que a manhã ia se arrastando e a hora de ir encontrar com ela não chegava nunca. E pra piorar minha ansiedade tive milhares de coisas pra resolver durante o dia inteiro e só pude ir encontrar com ela ao fim da tarde. Ela como sempre já estava muito estressada, afinal, esse é o típico comportamento dela; se irrita com muita facilidade quando seus objetivos não acontecem da maneira que ela planeja.

Já na sua casa ela deitada na rede da varanda e eu sentando próximo a ela; sempre em sua órbita, conversávamos sobre tudo. A vida dela, a minha, inicialmente ela simplesmente me bombardeava com milhares de questões sobre a minha homossexualidade, coisas tipo: como é que é pra transar? Se por acaso seria igual como com homem? Esse tipo de pergunta que deixa a gente meio perdida, ainda mais se essa pessoa que pergunta é a pessoa a quem se ama.

Eu deixava meio que aberto um espaço entre uma questão e outra pra avaliar uma possível ligação entre nós. Muitas das vezes fazia isso involuntariamente, mas em outras eu fazia por que queria. Quando não estávamos falando de mim era a vez dela falar, de seus problemas, de suas frustrações, enfim, de tudo. De como sentiu minha falta, de que ela nunca me perdoaria por tê-la deixado, que ela precisou e pensou muito em mim durante esse tempo que estive longe.

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