Acho que sou lésbica, estou apaixonada e agora?

adaAos 18 anos me fiz essa pergunta, eu estava na faculdade dentro de sala me questionando porque aquele sentimento de fúria, pânico e desejo apareciam e misturavam-se só em estar perto dela. Sentir o seu perfume era tão bom, mas naquele ponto não era o suficiente eu queria algo há mais e não sabia como conseguir. Era a primeira vez que sentia algo por alguém onde eu tinha grande chance de ser correspondida, pois sabia que ela era bissexual e um certo olhar me “revelou” algo que eu precisava acolher. Mas e agora? Infelizmente eu não tinha nenhuma experiência.

A primeira coisa que fiz foi até hoje o meu maior arrependimento, eu apenas fiquei calada, evitava contatos visuais, e no MSN deixava estampado no “cabeçalho” frases de amor juvenil na tentativa de chamar a sua atenção, ela era 6 anos mais velha do que eu e estava na sua segunda graduação e isso me apavorava eu sentia que era muito menina e que ainda tinha perdido um tempo precioso evitando ser lésbica, algo bem aparente, mas que contradizia a padrão de família perfeita que me foi empurrado goela abaixo pela minha mãe.  Meu primeiro “desperdício” foi aos 14 anos, quando chorei de raiva ao deixar partir minha primeira paixão de cabelos dourados e olhos tão negros quanto a noite, ela era tão audaciosa que chegou a beijar o cantinho da minha boca pela boa “amizade” e eu não fiz nada, apenas reprimi meu sentimento e continuei com a brincadeira de sermos amigas, mas o óbvio apareceu e eu fui uma coadjuvante essencial nesse relacionamento, dela com um colega de classe. E apenas conclui que minha paixão não gostava de meninas do jeito que eu gostava e se talvez tivesse acontecido algo entre a gente seria apenas um caso, uma “brincadeira” isso teria me magoado. A cada ano surgia novas paixões e todas tinham um doce perfume onde eu acreditava que eram as flores que me encantavam, porém mais tarde aprendi o que significava da palavra feromônio.

Eu estava enlouquecendo com esse silencio e nada evoluía da minha… nem sei se posso dizer tentativa, de mostrar a ela os meus sentimentos. Até que eu me aproximei e com uma voz quase de choro dei timidamente um presente, um pequeno globo de neve com um urso segurando um coração escrito “pra mim você é muito especial”. Ela ficou feliz com o presente, mas eu queria que tivesse ficado com a frase, ela agradeceu e logo partiu para casa, me senti aliviada. Começamos a falar no MSN e uma coisa insana surgiu, do nada ela me destratava, era esnobe e sempre discutia longos textos comigo com coisas insignificativas, mas o que me deixou deprimida foi quando ela disse que estava tendo um lance com uma menina aí… bem eu nem tive chance de dizer o que sentia, logo fui “metralhada”, ela começou a me evitar, me encarava, me sufocava e falava de mim com palavras negativas aos meus colegas de classe. Estudávamos na mesma sala, foi um grande erro ter dado o primeiro passo.

As férias se aproximavam e minha mãe logo me levou a uma psicóloga, eu estava muito magra, triste demais e tinha às vezes ataques de pânico. E eu que sempre fui muito gentil estava agressiva, desgastada, carregava o sentimento inverso do amor.

Antes de voltar a faculdade uma luz de realidade bateu no meu peito e de uma hora para outra eu decidi conhecer pessoas novas, malhar, ler mais sobre as lésbicas. Voltei a ficar corada, a ter mais disposição, mais garra e a ter mais orgulho de mim. Comecei a ler sobre hormônios, o cérebro feminino, ponto G, o Kamasutra para lésbicas, sobre o prazer, a filosofia, história, revolução, culinária e outras coisas que não me vem agora à cabeça. Meus pais ainda preocupados com minha baixa estima “sem explicação”, me presentearam naquelas férias com um filhote gordinho, quentinho, peludo de cachorro vira-lata. E foi aí que explodi de tanta felicidade e finalmente esqueci a garota que machucou tanto o meu tum tum. As férias passaram, e eu de cabeça erguida, corpo torneado, tênis e calça nova, perfumada, cabelo curtíssimo e com lápis negros que contornavam meus olhos entrei na sala com toda a coragem e garra. E o meu maior gostinho de vingança foi quando recebi inúmeros elogios, eu estava mais à vontade, a presença dela não me assustava, ela ficou tanto tempo me olhando que meus colegas logo notaram. E mais alguém tinha notado a minha presença, se aproximou de mim e eu sem medo algum fui logo perguntando se eu tinha alguma chance, frase de um típico canalha e a resposta foi mais típica ainda, um belo de um não. Eu não tinha mais medo de assumir o que sou, eu sentia agora que conhecia mais o meu corpo, os meus limites. A outra menina que me disse não, se aproximou viramos colegas e numa tarde depois do almoço fomos conversar sobre aquela coisa que estava surgindo… e Bum! Eu ganhei meu primeiro beijo. SURPRESA, como assim? Não estava apaixonada, nem levava a sério essa possibilidade, mas foi isso, começamos a ficar e logo a namorar e quando eu notei a moça esnobe tinha trancado a faculdade e nunca mas eu a vi.

Mas mesmo ela tendo ido embora meu relacionamento atual tinha algumas crises, minha namorada era muito possessiva e ciumenta e o pior é que ela era colega da que tinha ido embora, mas isso é história para outro dia.

Texto: C.W

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