Idas e vindas – Momentos

Idas_Vindas

Capítulo 26º – Momentos

Passaram-se alguns dias e a cidade estava em festa, nessa época ela já estava completamente apaixonada por mim, já não sabia como agir, seu ciúme crescerá absurdamente a ponto de não me querer conversando com mais ninguém, ela me queria somente pra ela. E eu tinha isso exposto quase todos os dias, na forma como ela me olhava, quando reclamava da minha ausência, e principalmente nas suas crises de ciúme.

No segundo dia de festa ela me pediu que fizesse companhia a ela no seu trabalho, eu disse que iria, mas por tramóia do destino minha mãe queria minha companhia na festa então eu me revezava entre minha mãe e ela.

Em frente ao trabalho dela eu me despedi e fui buscar minha mãe para irmos pra casa, mas ela não queria ir naquela hora, então pediu pra que eu ficasse um pouco que daqui a alguns minutos nos iríamos.

Fui dar um tempo perto da mesa de sinuca onde algumas colegas estavam jogando, acabei passando um tempo por lá, jogando uma partida. Foi quando a vi passando próxima a mesa. Ela simplesmente passou, nem sequer me olhou, eu sabia, ela estava muito irritada. Primeiro eu disse que iria embora e não fui. Segundo, estava rodeada de meninas jogando sinuca. Eu realmente estava em maus lençóis.

Fui atrás dela, tinha que lhe explicar o fato, mas ela não quis nem saber. Falei num tom de brincadeira com ela:

Pensei que você não pudesse vir à festa!

Ela me fitou e seu olhar congelou meu sangue.

Eu não vim à festa, vim só ver se você tinha mesmo ido pra casa…

Hum, já estou indo, estava só esperando minha mãe…

Ei pára você não precisa me dar satisfações da sua vida não…

Ela disse essas palavras e saiu de cena, me deixando como uma boba ainda tentando me explicar. Achei melhor não ir atrás, do jeito que ela estava achei que só iria piorar as coisas e também tinha o fato de que a qualquer momento minha mãe podia me chamar e eu teria que deixar nossa conversa pela metade; e não há coisa mais chata pra mim do que deixar uma conversa pela metade.

Voltei pra onde estava. Continuei jogando sinuca e conversando com as meninas, minha mãe se aproximou e disse que daqui a uns trinta minutos nós iríamos, assenti e ela saiu novamente. Foi quando uma garota me deu o recado de que ela estava me chamando.

Fui ao seu encontro, ansiosa para fazer com que nos entendêssemos.

Me chamou?

Ela somente me olhava e durante alguns segundos se fez calada. Talvez estivesse pensando no que falar, ou se acalmando, ou não sabendo o que dizer.

Chamei…

Sim…

Tu não disse que ia embora?

Disse. Só que a mãe disse que ia ficar mais um pouco, então esperei.

Mentira, tu queria era ficar aqui com essas meninas

Claro que não, você sabe muito bem disso. Sabe que eu queria ficar contigo.

Não claro que não, você não queria não, pois se quisesse tinha ficado comigo lá.

Já te disse que tinha que ir embora.

Admite logo que tu querias era ficar com uma delas… Estava lá toda assanhadinha pro lado delas. Pensa que eu não sei é?

Não tive cuidado ao falar estas palavras algo dentro de mim dizia que eu tinha que ter mais cuidado com ela, mas naquela hora realmente me senti ofendida e pus ali todas as verdades de mim que ela teimava em duvidar.

Ela me olhou perplexa, vi um brilho em seus olhos; como não pude perceber antes, ela tinha chorado, estava com raiva, muita raiva, mas existia ciúme, e sim existia muito amor. Mesmo assim, na sua tentativa frustrada de tentar me deter ou me reter a ela. Ela não sabia como agir e teria que ser eu quem tinha que saber o que fazer.

Tudo isso passava em minha cabeça, turbilhões, vendavais, tormentas, tudo. Mas, naquela hora eu não consegui ser racional, ela começou novamente a dizer alguma coisa, porem não esperei pra ouvi-las tinha dado as costas pra ela.

Ela não tinha me magoado, na verdade sair dali era meio     que uma fuga, se eu ficasse ali eu poderia perder minha razão e disser coisas que poderiam por em terra todo um esforço de tê-la pra mim, e isso eu não estava nem um pouco disposta a fazer.

Continuei caminhando e não olhei pra trás também não parei na sinuca, fui procurar minha mãe pra irmos embora, nesta altura eu já criara vários monólogos, um lado de mim defendia-a – ela não sabia como agir, ela não tem culpa, tem medo, precisa de tempo pra aceitar esse novo sentimento, não acha que você tem que ter mais calma com ela? – o outro lado dizia – mesmo que ela sinta tudo isso, ela deveria saber como eu sou, deveria me conhecer, como ela podia agir assim? Tão impulsivamente?

No fim não cheguei a nenhuma conclusão, só consegui sentir-me culpada e ao mesmo tempo frustrada. Agora eu sabia mais do que nunca que ela me amava e estava muito irritada comigo, tinha que pensar no que fazer.

Pare de falar essas coisas, você não sabe o que está dizendo.

Eu não sei? Eu sei sim o que eu estou dizendo e sei muito bem o que você está fazendo.

Não você não sabe não. Na verdade você não sabe de nada. Porque se você soubesse não estaria falando essas coisas.

Ela deu uma risada daquelas bem irônicas e sarcásticas. Nossa isso me tirou completamente do sério. Se existia alguma coisa que me tirava do sério era que alguém dissesse algo de mim que não era verdade, e risse da minha cara. Fiquei muito irritada.

Olha, eu não preciso estar ouvindo tudo isso que você está falando não, até porque eu não sei nem o que a gente tem. O que você quer realmente de mim? Minha fidelidade sou sua amiga isso não basta?

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