PARTE 3 – A ESCOLHIDA

— Nesse internato há regras… Porém literatura pra mim é igual filosofia… Cada um tem o direito de expressar o que pensa, mas não de modo tão agressivo, pelo menos não na minha aula!

— Professora estou te conhecendo agora… Não fez apresentação sua oficial a mim.

— Me chamo Paola… Já fui aluna daqui, e sou sobrinha da Madre Maria.

— Que azar, era o que imaginei… Está obrigada a ficar nesse inferno, coitada de você.

— Como se atreve a dizer isso? Pegue suas coisas, nossa conversa acabou…

Dei um sorrisinho de lado, e encarei aquele olhar intenso da Paola, comecei a seguir um fogo entre nós, uma inquietação de almas no momento em que dialogamos…

— Demorou hein! Quero que conheça a nossa outra colega de quarto…

— Nossa você é a filha problemática do Governador, você é uma decepção pro seu papai né? Pessoalmente você é mais gata do que nas fotos que te pegaram bêbada…

— Nossa super receptiva sua coleguinha hein Luísa… Não admito que fale assim de mim, não me conhece!

— Todo mundo sabe que você é o problema em pessoa garota!

Eu não admiti ouvir aquilo e empurrei ela da minha frente e saí dali… Fui chorar lá no pátio.

— Ei… Desculpa pela Anne. Ela é louca, anti-social… A família dela é toda drogada.

— Não tolero que falem isso de mim, ninguém sabe o que passo! O que suportei vivendo no mesmo tempo que aquele homem infernal!

Olhei ao redor… E vi a professora me observando, que veio até mim pra ver o que estava acontecendo.

— O que aconteceu Luísa?

— A Anne… Falou coisas desagradáveis a ela tadinha. Anne é um problema…

— Sempre essa garota! Pessoas infelizes são assim… Não se importe com o que digam a você, o que importa é o que você é por dentro!

Consegui ao menos parar de chorar com as palavras de consolo da professora Paola…

— Quero ver um sorriso bem bonito aí agora… Tá bom? Você mal chegou e já teve isso, sinto muito.

— Eu nasci sendo odiada… Não me admira começar com pé errado aqui. Não dou certo em lugar nenhum.

Luisa e Paola se olharam com pena e me abraçaram…

— Não precisa gente fazer isso, não quero que tenham pena de mim… Eu quero ficar sozinha, por favor.

— Tudo bem, depois se quiser conversar estarei no quarto.

A Paola só sorriu e foi embora… Gostei da atenção que teve comigo. Ela me esconde alguma coisa naquele olhar dela, sinto que também sofreu muito.

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