Idas e vindas – Últimos passos

Idas_Vindas

Capítulo 31º – Últimos passos

A ansiedade e o nervosismo que emanava de nós eram quase palpáveis. Mas, uma coisa eu tinha certeza, a nossa primeira vez tinha que ser algo inesquecível e maravilhoso. Sabia que ela podia querer ficar comigo, mas também poderia não estar preparada para tudo isso, eu tinha que estar ciente de tudo, afinal, eu tinha que ter o controle da situação.

Então, nós vamos deixar pra outro dia?

Lu eu acho melhor a gente combinar isso direito, até porque não acho confiável a casa da Ge.

Você quem sabe… Bem, então é melhor a gente ir não acha? Daqui a pouco vai amanhecer e isso não vai ser legal pra você.

É verdade, tinha me esquecido do tempo.

Rimos juntas.

É incrível como o tempo passa rápido quando a gente quer que ele pare.

Concordo, bem, mas agora nós já sabemos o que queremos realmente e isso muda tudo não acha?

Um rum. Lu eu posso perguntar uma coisa?

De repente senti a necessidade de olhar nos olhos dela e esclarecer qualquer dúvida que pudesse existir.

Claro.

Porque você demorou tanto?

Como assim?

Tipo, porque você não disse algo logo, que também queria ficar comigo, afinal você sabia que eu estava querendo…

Esperei que os sons de suas palavras ecoassem ao nosso redor para enfim lhe responder.

Eu demorei porque apesar de saber que você queria ficar comigo, eu tinha que lhe dar a oportunidade de também ter essa certeza. Entende?

Mais você correu o risco de esperar demais, e de perder a oportunidade.

Abri um meio sorriso e respondi:

Não meu amor, eu não esperei demais. Foi o tempo necessário. Deixa-me te disser uma coisa. Nessa vida uma coisa que eu aprendi é que o que tem ser da gente um dia será. Olho tudo o que eu vivi, por onde andei o que fiz tantas pessoas com que convivi. Na verdade você me culpa por ter esperado muito, mas olha onde estou, olha onde nós estamos. Já parou pra pensar que se tivesse acontecido antes, talvez você não tivesse toda a certeza que precisava e digamos; você escaparia de mim.

Fez-se um momento de silêncio. Até ela concordar comigo.

É acho que você tem razão.

Ela me convidou a sentar, sempre falando sobre nós e sobre as coisas mais peculiares que aconteceram conosco, ela me questionando pelas brigas, crises de ciúme e pequenas confusões que sempre aconteciam. Era uma conversa agradável, fluía como pequeno córrego que mal sabia para onde iria correr, e qual tamanha iria ficar.

De repente o silêncio se instalou em nós e nos olhamos tão profundamente que pude acreditar que nesse momento ela foi capaz de ver minha alma. Nós estávamos muito próximas uma da outra, a noite estava fria, e de repente me vi aproximando-se de seu rosto e vi que ela não recuava, mas era complicado ali na rua, de uma hora para outra um carro ou uma moto poderia passar e ver aquela cena.

Aqui não é um bom lugar pra isso, não acha…

Ela falou sussurrando.

Ninguém vai ver nada não. Está todo mundo dormindo.

Olha…

Por poucos segundos não fomos pegas. Uma moto apressada passou por nós. Nós nos assustamos e rimos uma da outra. É ela tinha razão, não era à hora e nem o lugar.

É melhor a gente ir não acha?

Acho que sim

Mas, mesmo que nada tenha acontecido fisicamente uma magia extraordinária emanava de nós duas. Antes em nossas conversas nós tínhamos certo cuidado ao falar; talvez porque escondíamos uma da outra nossos sentimentos, naquela hora tudo se falava abertamente. Separamos-nos sem vontade alguma, mas já era hora; tanto pra mim quanto pra ela. Faltava pouco menos de meia hora pra cinco da manhã.

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