PARTE 6 – A ESCOLHIDA

Eu fiquei olhando da janela do internato, e dava pra ver o mar dali daquele andar da biblioteca… E pensei vou vir sempre aqui, pra refletir…

— Kayla…

Virei pra olhar e era a Paola com álbuns de fotos nas mãos e pediu pra eu me sentar de frente pra ela, e me passou os álbuns.

— Fotos suas? E quem é essa ao seu lado?

Eu percebi que quando perguntei isso… Ela virou o rosto, e escondeu-se pondo as mãos no rosto. E depois saquei tudo… Era a amante dela.

— Você quer me contar o que houve?
— Quero… Mas não aqui, vamos à minha casa de praia ao meu carro…
— Mas, eu não tenho permissão pra sair….
— Vamos escondidas… É final de semana mesmo amanhã. Venha…

Eu abri um sorriso mágico, que há anos não abria… Saímos por um local “secreto” do internato. Lá é tão grande, que parece aquelas mansões antigas, na verdade é antiga. Parece que tem mais de trezentos anos e era de um barão… Entrei no carro dela e fomos pra praia. Paola sorria, e eu mais ainda por vê-la sorrir.

— Aqui é o meu refúgio Kayla…
— Eu sempre amei a praia também senhorita Paola…
— Pode me chamar de Paola, não precisa ser educada. Temos temperamentos iguais, pelo visto…
— Pois é, e a propósito sua casa é maravilhosa…
— Obrigada. Mas, eu prefiro achar que é a praia que a deixa maravilhosa…
— E eu prefiro achar que é por você ser dona dela…

Paola deu um sorriso sem graça, e sentou na varada de baixo da casa. E antes tinha preparado uma jarra de suco de laranja pra nós duas. E uns biscoitos doces.

— Aceita?
— Aceito… Obrigada.
— Eu me sinto melhor aqui, pra falar sobre mim… Aquela moça foi a minha mulher…
— Foi? E por que não é mais?
— Porque ela se suicidou! Por minha causa… Meus pais não aceitavam meu namoro, e a madre diretora daquela escola é a minha tia, irmã da minha mãe, desde a minha adolescência eu vivo trancafiada naquele inferno de lugar, por conta de uma escolha minha… Falaram que DEUS ia me curar dos pecados. Desde quando, amar é pecado? Minha mulher se matou por não aguentar me ver longe dela… Levaram-na pra servir ao exército e foi lá que piorou tudo e se suicidou. Quando eu soube da notícia, eu cortei meus pulsos e fiquei internada por duas semanas, eu quase tive hemorragia. E juro que preferia não ter sobrevivido… Pois carrego essa cicatriz pra sempre no meu peito…

Eu coloquei a minha mão ao peito de Paola e disse…

— Pra mim… Seu coração não está com defeito, ele está com esperança de viver novamente… Você é uma mulher guerreira Paola, imagino o quanto deve ter sofrido, e eu estou com você agora pro que der e vier! Vou ser o seu escudo, até você se estabilizar.

— Você vale ouro… E o que você fez pra estar aqui?

— Meus pais não se orgulham de mim, por não seguir os padrões deles, de ser a patricinha cobiçada. E por eu não namorar homens. Aí se livraram de mim… E quer saber a real? Eu amei se livrar deles, pois estou aqui ao seu lado… Contando a minha vida pra você.

— E você nunca se apaixonou por alguém?

— Já… Esse caso, eu não quero contar agora, não estou preparada ainda.

Fizemos um brinde com nossos copos de suco, e olhamos para o mar. Paola ficou me olhando curiosamente, e imagino que seja pelo fato de eu não contar ainda o que ocorreu comigo…

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