Um amor além da amizade

UA³Durante todo trajeto Paula estava com a cabeça longe. Dentro do carro só Cecília e Letícia conversavam e Paula respondia as perguntas e afirmativas com gestos e acenos de cabeça. No máximo soltava um murmúrio. E essa atitude não passou despercebida por sua mãe.

 – o que aconteceu com você hoje minha filha? Está acontecendo alguma coisa que eu não estou sabendo? Você parece estar tão distante, absorta em seus pensamentos. Passou o caminho inteiro em silêncio. Tem alguma coisa te preocupando?

Paula mirou o tênis e pensou no que diria a mãe. Na verdade nem ela sabia direito o que estava acontecendo. Mas precisava responder alguma coisa.

– Mãe eu não sei ao certo. Estou meio angustiada, sei lá. Uma vontade de chorar, um aperto no peito. Mas, eu não sei por que isso está acontecendo comigo.

O relacionamento entre duas sempre foi bastante aberto. Muito unidas não havia segredos entre elas desde a separação. E isso as tornou mais próximas, se Letícia era a melhor amiga de Paula sua mãe também não deixava de ser.

 – quer dividir comigo essas sensações? Ou ainda não está pronta?

– ainda não mãe. Até porque eu nem sei direito o que está acontecendo e nem sei também o que estou sentindo. Mas quando eu souber te prometo que falo, está bem? – Cecília concordou e não falaram mais nada sobre assunto durante o trajeto restante pra casa. Paula agora se sentia melhor, de alguma forma saber que sua mãe estava ali pra ajudar lhe acalmou o coração.

Já em casa, ela entrou no banho e deixou a água escorrer pelo seu corpo evitando pensar. Queria somente sentir o calor da água. Mas era impossível, flashes hora ou outra traziam a sua mente o rosto Letícia. Desistiu de tentar não pensar, de tentar entender – o que está acontecendo comigo? – questionou-se ao final entregue as suas dúvidas.

Depois do banho resolveu descansar um pouco e aproveitar à tarde fria de outono. Deitou-se, pôs o headphone e apertou o play de um setlist que um amigo tinha preparado pra ela com trance, psy e umas modinhas conhecidas por todos. Paula sempre acreditou que a vibração da música eletrônica conseguia anuviar seus pensamentos e proporcionar a ela paz no espírito. O que pareceu não funcionar muito bem, pois sua amiga continuava em sua cabeça.

Na outra casa, Letícia que não era boba nem nada percebeu a inquietação de sua amiga, a forma como ela tinha agido diferente. Sua reação ao que ela tinha lhe dito e durante a volta pra casa o seu silêncio. Resolveu ligar pra amiga e marcar alguma coisa pra fazerem no fim de tarde, dessa forma poderia arrancar de Paula o real motivo de tanta estranheza.

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