#MarielleFranco: foi execução não latrocínio

A vida política de Marielle Franco foi dedicada à militância na defesa dos direitos humanos e contra ações violentas nas favelas

Mulher, negra, mãe, feminista, socióloga, “cria da favela”, como ela mesmo gostava de falar. Nascida no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro, em 27 de julho de 1979, Marielle Francisco da Silva, a Marielle Franco, era referência na luta pelos direitos humanos. A mais recente conquista na área foi o mandato de vereadora na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, eleita pelo PSOL. Foi morta a tiros na noite desta quarta-feira (14), no centro do Rio de Janeiro. Nas últimas semanas, Marielle fez fortes críticas à intervenção federal no Rio citando a truculência da polícia e das forças armadas nas favelas. Ela também foi apontada, no dia 28 de fevereiro, como relatora da comissão destinada a acompanhar a mesma intervenção.

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Morta a tiros no Centro do Rio

Aos 38 anos, Marielle Franco foi brutalmente assassinada a tiros no bairro Estácio, no Centro do Rio. O motorista Anderson Pedro M. Gomes, 39, que dirigia o veículo também morreu. Marielle voltava de um evento chamado “Jovens Negras Movendo Estruturas”, na Lapa. Um carro emparelhou com o veículo de Marielle e foram efetuados ao menos 9 disparos. Cerca de 4 tiros atingiram Marielle na cabeça, de acordo com a investigação da polícia. Uma assessora da vereadora, que também estava com os dois no carro, ficou ferida pelos estilhaços. Ela foi socorrida e passa bem.

Insensibilidade Humana

Diante da execução de Marielle e Anderson vemos uma enxurrada de comentários perversos de uma parte da sociedade brasileira que sempre costuma fazer chacota da infelicidade, tristeza, dor e sofrimento alheio. Apesar de ter uma visão política diferente de Mirella nunca em minha vida ficaria contente ou faria brincadeiras a respeito. Morreu ontem, uma jovem batalhadora, que lutava pelos seus ideais que merece ser respeitada pela sua trajetória de vida, seu papel na sociedade e pelo exemplo de mulher que foi.
Morre dentro de mim a visão de humanidade de uma grande parte da população brasileira que assiste e aplaude a dor de quem pensa diferente. Ver comentários nojentos de pessoas que ignoram a execução de um ser humano com 10 tiros e que não levaram nada, é asqueroso. Me pergunto:

Como alguém pode ser tão babaca a ponto de fazer chacota com a morte de alguém

só porque ela pensa diferente?

Eu estava pensando aqui com meus botões, que a forma como Marielle fazia política – não só ela, mas tantos outros. Nos faz acreditar que o mundo pode ser melhor, que existem pessoas que se preocupam com o sofrimento do outro. A própria personificação da nossa juventude adulta engajada e cheia de coragem, que vai a luta pelo que compreende do mundo e deseja melhora-lo. Marielle representou mais que nós mulheres, negras, pobres, lésbicas, ela representam a luta para elevar os desvalidos e apartados da sociedade de um país conflagrado. Ela tornou-se uma mártir desse mundo vil e de um Brasil com a vocação para o Retrocesso e o Atraso.

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