The Handmaid’s Tale e a sociedade hipócrita atual

Nesse fim de semana, os fãs de The Handmaids Tale entraram em êxtase, e com razão: o pôster da nova temporada saiu e ainda com data marcada para a reaparição de OfFred, vivida por Elizabeth Moss: no dia 25 de abril, o primeiro episódio vai ao ar nos EUA e deve estar disponível legendado no dia seguinte (mais tardar dia 27) e daquele jeito que vocês já sabem.

Haja paciência para encontrar o seriado, fechar milhões de abas, acionar todos os antivírus e ainda sim perder algum arquivo importante. Esse é o preço que se paga pelo Brasil não ter Hulu, o streaming bem parecido com a Netflix.

Reclamações a parte, vamos ao resumo da primeira temporada: em um presente distópico, fundamentalistas cristãos tomam o poder e submetem todos os Estados Unidos. Na trama, muitas mulheres são inférteis – e não se sabe ao certo o por quê, provavelmente excesso de agrotóxicos  – e as que ainda podem ter filhos são capturadas (isso mesmo) e feitas de Aias (handmaids) com o único objetivo: engravidar do Senhor Comandante da casa a qual pertencem.

Aliás, vamos deixar claro aqui: as mulheres sequestradas ganham nomes de acordo com o chefe da família. OfFred significa exatamente ‘Do Fred’.

Na primeira temporada, somos apresentados à correria de querer sair dessa ditadura, que literalmente acontece do dia para noite, SÓ QUE NÃO. Fica óbvio que vários sinais estão expostos e a sociedade reclama, mas somente pelas redes sociais. Mera coincidência com a nossa atual realidade? Nops.

Mas né! Ativistas de sofá não faltam, nem na série nem na vida real. Na primeira temporada, vimos sim alguns militantes que acabam sendo subjugados pelo Exército (!), a comando dos novos mandantes daquele país.

As mulheres não sequestradas têm uma vida diferenciada, a partir daquele dia: todas são demitidas e têm suas contas bancárias totalmente zeradas; as que têm marido ainda possuem uma forma de viver (financeiramente); as que não… bem, a prostituição é praticamente estimulada.

Há poucas cenas de sexo, apesar do ‘objetivo principal’ é de engravidar para ‘a continuação da espécie’ e eu vos digo: elas são totalmente desnecessárias. Os rostos e expressões das personagens falam por si.

Escrita por Margaret Atwood – em livro homônimo – The Handmaids Tale ainda apresenta outras personagens femininas muito fortes (e não estou falando para o bem). As esposas dos Comandantes vestem verde musgo e são chamadas de Marthas. Elas são basicamente donas do lar, cuidam das Aias e são inférteis, o que claramente as deixam bastante frustradas. E não estamos falando daquela suposta máxima ‘toda mulher quer ser mãe’, é que todas elas acabam por ter apenas a esperança de ser responsável por um rebento, mesmo que para isso vejam seus maridos fazendo sexo com Aias – e os ajudem nesse ‘casamento’.

A série ainda tem tantos tapas na cara que é impossível não querer acompanhar a quase revolução que está a explodir. As Aias, de vestido vermelho e chapéus brancos, iniciam o processo de dentro pra fora. E apesar de tantas perdas no caminho, o final da primeira temporada é promissor:

“Se não queriam um exército, não deveriam ter nos dado uniformes”.

Chega logo abril pelo-armor-de-todos-os-deuses-novos-e-antigos!!

25 comentários sobre “The Handmaid’s Tale e a sociedade hipócrita atual

  1. Esta é uma série que eu desejo ver, mas que ainda não encontrei tempo.
    Agora com a chegada na nova temporada vou ter que correr atrás do tempo perdido hehehe

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  2. Eu não conhecia mas depois dessa explicação tão bem detalhada eu fiquei bem curiosa para ver afinal. Sai tantas semelhanças com o cenário atual de nossa sociedade sentada no sofá reclamando pelas mídias sociais.

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