#Feminicídio: nós nunca acreditamos que pode acontecer na nossa casa

Famílias não acreditam que agressões chegarão a feminicídio, diz doutora em psicologia Valeska Zanello

O feminicídio de Jessyka Laynara, de 25 anos – assassinada no início do mês ao levar cinco tiros do ex-namorado, o soldado Ronan Menezes do Rego – é resultado de uma cultura “extremamente permissiva com relações abusivas contra as mulheres”, avaliou a especialista em saúde mental e gênero Valeska Zanello, doutora em psicologia pela Universidade de Brasília (UnB).

“A gente precisa sensibilizar a sociedade de que a violência [doméstica] não é um problema de quem a está vivendo, é de todos nós. Em briga de marido e mulher se mete a colher, sim.”

Para a doutora o conceito de masculinidade no Brasil está “adoecido” e, por isso, constrói homens controladores e agressivos. “A violência [doméstica] é, muitas vezes, virilista. É uma tentativa de resgatar um lugar identitário pros homens.”

Policial militar é suspeito de matar namorada, de 25 anos, a tiros (Foto: Arquivo pessoal)

“O Ronan não é exceção. Ele é só a ponta do iceberg”

Na outra ponta deste iceberg, estariam as mulheres vítimas de agressões – que, segundo Valeska, também estão adoecidas pelo que a “cultura sexista” impõe a elas.

Para Valeska, o caso de Jessyka e outros feminicídios poderiam ter sido evitados caso familiares, amigos e vizinhos que tinham conhecimento da violência tivessem denunciado logo nas primeiras agressões.

“A família, às vezes, não acredita que isso [morte] vai acontecer.

Por isso, é importante que não se desqualifique a violência.”

Valeska Zanello é formada em filosofia e psicologia pela Universidade de Brasília (UnB) e coordena um grupo de pesquisa sobre saúde mental e gênero na mesma instituição. Ela também é integrante do Grupo de Estudos Feministas e da Comissão de Direitos Humanos da universidade. Em 2015, participou do ciclo de palestras TEDx com a conferência “Por que xingamos homens e mulheres de formas diferentes?” e, recentemente, lançou o livro “Saúde mental, gênero e dispositivos: cultura e processos de subjetivação”.

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